domingo, 4 de setembro de 2011

Gravidez não evolutiva, anembrionária.

 Por muitas vezes que volte a engravidar, duvido que sintamos o que sentimos no dia 1 de Julho!
Uma semana depois de saber que estava grávida, voltei à consulta, fiz eco via-se uma sombrinho do saco gestacional, não muito nítido e voltei a fazer a beta hcg. No dia seguinte telefonei à médica, como combinado, para saber o valor da análise: 690. A médica disse que passados dois dias fosse ter com ela à urgência. Uma semana depois de termos tido a melhor notícia das nossas vidas, soubemos que algo não estava bem. Ainda só tínhamos contado a uma amiga, mas neste dia contei à minha mãe, precisava de colo, estava tão angustiada! Apenas lhe disse "Mãe, tenho uma notícia boa e uma menos boa para te dar: a primeira é que estou grávida, a segunda é que parece que não está a correr muito bem", e chorei...chorei...sentia-me perdida!
Mais tarde, quando falei com a médica, soube que apesar dos valores da beta hcg estarem a aumentar, estavam muito baixinhos...íamos esperar mais uma semana para ver! Os valores da análise devem duplicar a cada 48horas e isso não estava a acontecer, aliás os meus valores estavam muito longe disso!Para nós o tempo de espera era o pior, uma semana parecia um mês um ano!No dia 14 de Julho, na consulta conseguimos ver na eco um saquinho com 4mm, bem formadinho, mas vazio. Ouvimos pela primeira vez os termos: gravidez não evolutiva, gravidez anembrionária! No entanto, a médica recomendou que aguardassemos mais uma semana, pois poderia tratar-se de uma gravidez tardia, uma vez que as minhas mestruações eram irregulares. Mais uma semana...
Nesse dia, eu soube que tinha de começar a preparar-me para o pior, eu sabia em que dia tinha engravidado, não se tratava de uma gravidez tardia. Foi uma tarde e uma noite inconsolável...apesar dos esforços do meu C. sempre optimista, dizia-me que não sofresse por antecipação, que o embriãozinho havia de aparecer naquela semana...apesar do meu lado racional saber o que iria acontecer, o meu coração ansiava um milagre... mas o milagre não se deu.
No dia 22, uma semana depois renasceu a esperança, apesar de não haver embrião o saco gestacional tinha aumentado: 6mm. A médica perguntava se eu não tinha dores nem hemorragia, eu disse que não, fisicamente sentia-me bem! E assim aguardámos mais uma semana! Mas fomos avisados que com ou sem embrião na semana seguinte seríamos encaminhados à obstetrícia.
Eu já não sabia o que pensar, o que sentir, haveria ainda alguma esperança?! Nós queríamos que sim e agarrámo-nos a isso com tanta, tanta força! Um dia, à noite, quando nos estavamos a deitar o C. perguntou-me a medo se podia dar beijinhos na minha barriga? Respondi que sim emocionadamente, pois sabia que ele queria tanto como eu que a gravidez avançasse, talvez ele tenha pensado que acarinhando aquele saquinho vazio ele se encheria de amor e geraria um embriãozinho! Mas todo o nosso amor não foi suficiente!

4 comentários:

claudia disse...

O teu post emocionou-me. Ainda estou com a lágrima no canto do olho. Também tenho os meus receios, até porque a minha filha de 12 anos sofreu um traumatismo craniano e não articula as palavras normalmente. Mas nestas alturas temos sempre que ser fortes e otimistas. Enquanto há vida, há esperança e só nos resta lutar, lutar, lutar.
Beijinhos carinhosos para vós, pais valentes.
claudia79

Tatiana Tchu disse...

Estou passando por isso. Sinto que você é a única a me entender. Nem meus pais nem meu marido têm a menor noção do que eu estou passando. Eu me sinto enterrando um filho que jamais poderei conhecer. O meu primeiro filho. A minha alegria que foi embora...

Anônimo disse...

Aos 42 anos finalmente consegui engravidar. Estava tão feliz, adiei fazer o teste com medo do resultado. Dia 25 de Abril, fiz e deu positivo, ia-mos ser papás. Como não sabia o que fazer, fui ao centro saúde, onde me esclareceram. Sintomas de gravidez, para além dos peitos inchados e ausencia de período, não tinha. Na passada semana, comecei a ter mts dores nas costas, mas como tenho fibromialgia desvalorizei. Na sexta senti ardor aos urinar e um pouco de sangue. Sábado, e depois de um dia de trabalho horrivel, disse ao meu marido que era melhor irmos ao hospital porque também tinha um corrimento castanho. Fui atendida por uma medica mt mal humorada e que me disse que tinha no máximo 6 semanas, pelas minhas contas teria umas 8 e mandou-me voltar lá uma semana depois. O mundo desabou e tive a certeza que algo nao estava certo. Tinha acontecido o mesmo à minha melhor amiga dois meses antes. Ontem senti-me pior e voltei ao hospital, fui atendida por um medico muito calmo e atencioso e que mal me começou a explicar, eu sabia o que me ia dizer. Nao estava ali nada, o meu bebé não existia. Passou-me uns comprimidos e vim para casa. Passadas 3 horas depois, por voltas das 21:30 comecei a ter dores e começou a sair sangue. Tomei um beneron e adormeci. Por volta das 00:00 acordei, meu Deus pensava que ir morrer. Nunca tinha tido tanta dor. Pensava que ir morrer de tanta dor, tomei mais 2 beneron e por voltas das 3h lá acalmou. Estas horas passei na casa de banho e a vaguear pela casa enrolada num cobertor, apesar do calor que estava, eu tinha frio. Foi a pior noite da minha vida, apara além da dor fisica é também a psicológica. Hoje está mais calmo...amanhã logo se vê. Força a todas

Anônimo disse...

Ola. E muito triste, e estou a passar por uma situação muito parecida; mas o meu " saco" não esta vazio, só não parece evoluir, os valores baixaram depois de 48 horas , mas não muito, agora espero por mais analises amanha. O pior é quando não sabemos que esperar............è muito duro. Desejo-te muitas felicidades e obrigada por partilhar , ajudo-me muito .